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Quadro branco manchado: quando é da limpeza e quando é do quadro

Quadro branco manchado, com a sombra do que esteve escrito a não sair da superfície

Há um quadro assim em quase todos os escritórios. Está manchado no meio, cinzento, com a sombra de um esquema que já ninguém se lembra de quem o desenhou, e por mais que se passe o apagador, já não apaga. A primeira explicação que aparece é sempre a mesma: a culpa é dos marcadores baratos ou de quem não limpa. Só em parte.

Parte da culpa pode mesmo ser da limpeza. Tinta deixada no quadro semanas a fio, um produto que não foi feito para isto, ou nunca se fazer uma limpeza mais a fundo, tudo isso estraga um quadro que, de origem, era bom. A outra parte, a maior, é a superfície, e essa é definida no dia da compra.

A tinta não fica por cima, entra

A maioria dos quadros brancos baratos tem uma superfície de melamina, uma folha de resina prensada. Vista de perto, essa superfície é porosa: tem poros microscópicos onde a tinta do marcador se aloja. Enquanto a tinta está fresca, sai toda, mas o que fica nos poros não sai com nenhum apagador e acumula-se. É por isso que um quadro de melamina apaga bem no primeiro mês, apaga razoavelmente ao fim de um ano e, ao fim de três anos, fica com uma mancha que já não sai. Aparece sempre no meio do quadro, que é a zona onde toda a gente escreve.

Na melamina, a melhor limpeza do mundo só atrasa isto. Vale a pena fazê-la na mesma e adiar o problema por uns meses, mas isso não o evita: a tinta já entrou. É por isso que, três anos depois, se está a olhar para catálogos outra vez. Vale a pena perceber a diferença antes de escolher esse segundo quadro.

Os riscos agravam o problema. Um risco feito por um íman arrastado ou pela unha abre um sulco que passa a reter tinta para sempre, e nesse ponto o quadro nunca mais apaga, por muito bom que seja o produto de limpeza.

O vidro temperado não tem nada disto, porque não tem onde. É uma superfície fechada, sem poros, sem fibras e sem pintura que se desgaste. A tinta fica mesmo por cima e sai toda, hoje e daqui a dez anos. A própria Nobo descreve a superfície de vidro da gama Impression Pro como a de maior resistência a manchas de tinta, marcas de caneta, riscos e mossas de toda a sua gama, e a diferença nota-se sobretudo em quadros que são usados todos os dias.

O que está por trás do vidro

Um quadro de vidro é magnético, apesar de o vidro não ser. A explicação está literalmente atrás: entre o vidro e a parede há uma chapa metálica, e é a ela que o íman se agarra, através de toda a espessura do vidro. Só por isso é que vale a pena saber que aqui só servem os ímanes fortes, de 32 e de 38 mm, porque os pequenos não têm força para atravessar o vidro e caem com o papel.

Também está atrás o sistema de fixação. Nos modelos sem moldura, os suportes ficam escondidos por trás do quadro, o que dá aquele ar de painel colado à parede e é metade da razão pela qual um quadro de vidro se põe num sítio à vista, como numa sala de reuniões envidraçada, numa recepção ou numa cozinha. É a única categoria de quadro que as pessoas também escolhem pelo aspecto.

Quando é que compensa, e quando não

Não é para toda a gente, e convém dizê-lo. Um quadro de vidro é mais caro e é mais pesado, por isso a parede tem de aguentar e a montagem não se faz sozinha. Num quadro usado três vezes por mês, num gabinete ou em casa, isso não se justifica: um quadro de aço lacado aguenta muito mais do que a melamina e custa muito menos do que o vidro. É aí que a limpeza volta a contar: num aço lacado bem tratado, a superfície dura anos, e num aço lacado maltratado nota-se.

O vidro compensa quando o quadro é usado todos os dias, quando está numa sala onde entram clientes, ou quando já se comprou um quadro branco barato e se percebeu que só dura dois ou três anos. Nesse último caso paga-se duas vezes: o quadro barato e, três anos depois, o de vidro na mesma.

O que é preciso fazer para ele durar

Pouco, e é esse o ponto. Um pano de microfibra seco chega para o dia a dia, e, de vez em quando, um produto próprio para quadros de escrita tira a película que a tinta vai deixando. Não é preciso recuperar a superfície, porque ela não se gasta, e é por isso que um quadro de vidro se limpa em menos tempo do que um quadro de melamina com três anos.

Vale a pena usar marcadores próprios para quadro de escrita. Deixar texto ao sol durante semanas é a melhor forma de complicar a limpeza de um quadro de vidro. De resto, o quadro que comprar hoje vai apagar da mesma forma quando mudar de escritório.

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